Informações, teoria e crítica: da poesia ao poema
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Terça-feira, Abril 19, 2005
POESIAPOEMAPOESIA
POEMAPOESIAPOEMA
O POEMA É UM INSETO
QUE SOBE PELAS PERNAS
DO LEITOR DISTRAÍDO
de GILBERT DANIEL
in Narrarte
5:20 AM
Comentários:
Sexta-feira, Março 25, 2005
CORRENTEZA EM NOITE DE LUA VERMELHA
Poema/processo:
Projeto semântico de Moacy Cirne
Este poema azul e azulência,
em sendo divulgado nos próximos 13 dias,
resultará,
para aquele ou aquela que o fizer,
em
cinco auroras sonolentas
quatro manhãs arrepiadas
três tardes atrevidas
dois crepúsculos cansados
um poema docemente encantado
docemente encarnado.
Quem não o divulgar,
dele tomando conhecimento,
será condenado
ao fogo eterno da paixão
em noite de lua vermelha,
nas cercanias do Poço de Santana,
com suas águas cantantes
e suas surpresas cortantes.
[ in Balaio Vermelho ]
Versão do Autor:
Projeto semântico / 2
CORRENTEZA EM NOITE DE LUA ABISMADA
Este poema vermelho e qualquer coisa ligeiramente verdejante,
entre cajás e maracujás,
em sendo divulgado nos próximos 31 dias
por você, caro amigo, doce amiga,
resultará
em
três auroras prateadas
cinco espantos poéticos
três crepúsculos dourados.
Não o divulgando,
mesmo que seja entre cajaranas e carambolas,
será condenado/a
a beber vinho e mais vinho
(de boa qualidade, naturalmente)
durante 13 dias e 13 noites.
Nota:
Em se tratando de poema/processo, como é o caso presente, temos duas versões para o mesmo poema. (MC)
10:08 AM
Comentários:
Sábado, Novembro 20, 2004
TESES SOBRE O MODO DE PRODUÇÃO DO POEMA/PROCESSO
Moacy Cirne
1. O poema/processo não é poesia.
Desde sua origem (1967), sabe-se que o estágio poético, característico da poesia tipográfica (poesia concreta, inclusive), não lhe é próprio como referência intersemiótica. A poesia, em sendo subjetiva, com toda a sua carga de emocionalidade (este filme é poético, aquele crepúsculo contém poesia etc.), não interessa ao projeto significante do poema/processo. Conter ou não poesia, em maior ou menor escala, é secundário para o discurso literário que se quer mais produtivo, mais conseqüente, mais trabalhado. A prática semiológica do poema/processo não leva em conta, portanto, a possibilidade (abstrata) da poesia: o poema/processo é o produto físico elaborado pelo poeta-artista.
2. O poema/processo não é para-literatura.
Os possíveis elementos semântico-literários deste ou daquele projeto particular do poema/processo não são suficientes para defini-lo como para-literatura. O próprio conceito de para-literatura (que marcaria a ficção científica, a novela policial, a literatura fantástica, as estórias em quadrinhos) é duvidoso. A rigor, não se trata de um conceito, no sentido teórico. Já o poema/processo, seja como projeto gráfico, seja como versão material, existe em um espaço significante alheio à literatura, à poesia e à para-literatura, admitindo-se a concretude textual da última. Seus produtos seriam, antes, (anti)literários, por extrapolarem, criticamente, os elementos literários contidos numa primeira instância.
3. O poema/processo exclui a informação estética.
O centro crítico e produtivo do poema/processo, em sendo semiológico, rejeita toda e qualquer estética, toda e qualquer poética. O poema/processo, pois, assumindo uma atitude política ao nível da linguagem, não poderia ser formalista. O projeto, desencadeador de novos poemas, suprime o formalismo que caracterizava as vanguardas anteriores. O que interessa é a informação: a linguagem a serviço da prática revolucionária.
4. O poema/processo redimensiona a informação semântica.
No espaço significante de sua prática, não mais a informação semântica como simples matriz de conteudismos ou realismos acadêmicos. No poema/processo a informação semântica existe a partir da leitura produzida pelo projeto: a versão, seja formal ou não, é um ato político semantizado pela leitura.
5. O poema/processo é experimental.
Ao trabalhar os signos concretos (gráficos, visuais, sonoros, ambientais etc.) da linguagem, o poema/processo o faz explorando as potencialidades físicas do material escolhido, assim como a grafia de suas possibilidades semióticas. Estas possibilidades são testadas experimentalmente, nos mais diversos níveis da produção. O poema/processo nasce de uma pesquisa aberta e múltipla em relação à linguagem: pesquisa que, através do projeto e da matriz, leva a novos poemas, a novas linguagens, a novos projetos. O poema/processo (que se relaciona dialeticamente com o poemário experimental brasileiro produzido a partir de 1973/74) nunca pretendeu ser uma vanguarda única e absoluta: pretendeu apenas atingir a informação nova (sem cair, bem entendido, nos vícios idealistas daqueles que sacralizam a teoria da informação) mediante os vários caminhos que passam pelo experimental.
6. O poema/processo critica a ideologia.
Embora situado ao nível da superestrutura, próximo às camadas ideológicas, o poema/processo, justamente por se inscrever nos quadros de uma produção semiológica, ativando leituras produtivas, é capaz de criticar (como pura metalinguagem) a ideologia. Em primeiro lugar, a ideologia literária imposta pelas classes dominantes; em segundo lugar, a ideologia das próprias classes dominantes. Não se quer dizer com isto que o poema/processo, fundador de atividades semiológicas, é científico. O poema/processo, apenas, tem consciência de seus limites e de suas funções artísticas no interior da sociedade.
7. O poema/processo é uma intervenção semiológica.
Como linguagem e metalinguagem, o poema/processo intervém crítica e produtivamente nos agentes formais e estruturais dos discursos artísticos e literários, enquanto reflexos dinâmicos da sociedade que os gerou. Por ser uma linguagem carregada de signos experimentais, que revelam o lugar social e (anti)literário de sua prática significante, o poema/processo é uma intervenção cultural nos discursos semiológicos e nas práticas textuais da arte, da literatura e da própria semiologia.
8. O poema/processo inscreve-se como produção cultural.
Hoje, o poema/processo, em sendo uma intervenção semiológica, realiza-se política e socialmente como produção cultural. Sua intervenção deve atingir, na teoria e na prática, os componentes mais danosos e conservadores da arte e da literatura. O poema/processo, queiramos ou não, é um problema literário. O poema/processo, queiramos ou não, é uma posição radical dentro da vanguarda brasileira.
9. O poema/processo dinamiza a relação produção/leitura.
A prática do poema/processo, em dez anos, mostrou o papel assumido pela leitura, seja a crítica, seja a produtiva. O poema/processo não se dirige a consumidores: dirige-se (para formar) a leitores, a partir do projeto ou da matriz. A relação obra/consumo transforma-se qualitativamente na relação produção/leitura. O primeiro termo (produção) existe, na prática, como produção semiológica e cultural; o segundo termo (leitura) existe como intervenção cultural e semiológica. A relação é dinamizada através de uma prática experimental, remetendo a novos poemas (opções criativas). Os novos poemas atestam a funcionalidade do(s) projeto(s) dado(s). O poema/processo não se restringe a este ou àquele vanguardismo particular. A própria idéia de uma vanguarda mais formal é questionada pela prática significante do poema/processo, prática esta que leva à produção e à leitura. Ao poema/processo só interessa a prática revolucionária, capaz de produzir uma leitura igualmente revolucionária: o poeta/processo, produtor de signos, é um operário da leitura, assim como (já nos dizia Álvaro de Sá) é um operário da linguagem.
[As presentes Teses foram publicadas originalmente em 11/12/1977, no suplemento Contexto do jornal A República, em Natal; republicadas no livro A poesia e o poema do Rio Grande do Norte, edição de 1979, em Natal, pela Fundação José Augusto]
10:13 AM
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Terça-feira, Setembro 21, 2004
DEZ FILMES EXPERIMENTAIS
1. Ano passado em Marienbad (Resnais, 1961)
2. Um cão andaluz (Buñuel, 1928), curta
3. O homem da câmera (Vertov, 1929)
4. One plus one (Godard, 1968)
5. Entr'acte (Clair, 1924), curta
6. O final de 2001 (Kubrick, 1968)
7. Sinfonia diagonal (Eggeling, 1924), curta/animação
8. A parte inicial de Nossa música (Godard, 2003)
9. Sherlock Jr. (Keaton, 1924)
10. Rythmetic (McLaren, 1955), curta/animação
10:25 AM
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Domingo, Julho 18, 2004
INFOPOEMA DE LAU SIQUEIRA (rs/pb)
[ in Poesia Sim ]
12:45 PM
Comentários:
Domingo, Julho 11, 2004
5:28 PM
Comentários:
Sábado, Julho 10, 2004
POEMA DE BRUNA BEBER
in Fluxonismo
12:52 AM
Comentários:
Quinta-feira, Junho 24, 2004
ARTE BRASILEIRA HOJE
O ALLEGRO DESBUM
DE BETH ALMEIDA
12:28 AM
Comentários:
Sábado, Junho 05, 2004
POEMA/PROCESSO
de
Falves Silva (projeto, anos 90 do séc. XX)
&
Moacy Cirne (versão, 2001)
8:11 AM
Comentários:
Sábado, Maio 29, 2004
E já que este blogue também se abriu para a poesia concreta
que se faz hoje no país,
é bom lembrar que há diferenças marcantes entre o poema/processo
e o concretismo em literatura.
Nem sempre são diferenças cordiais,
mas, neste espaço, as diferenças são vistas de forma criativa e/ou produtiva.
E nós a apontamos com certa dose de humor.
Memória
BALAIO PORRET@ 0072
Rio, 9 de janeiro de 2002
POEMA/PROCESSO [] POESIA CONCRETA
Garrincha [] Pelé
Hermeto Paschoal [] João Gilberto
Glauber Rocha [] Walter Hugo Khouri
Natal / Rio / Olinda [] SP / Brasília / BH
Rio Potengi [] Rio Tietê
Leila Diniz [] Martha Rocha
Mangueira [] X-9
Fla x Flu [] Santos x Corínthians
Jesuíno Brilhante [] Lampião
Gregório de Matos [] Castro Alves
Zé Limeira [] Leandro Gomes de Barros
Malhada Vermelha [] Velho Barreiro
Carne de sol [] Pizza
Sucos do norte [] Milk-shake
Caldo de cana [] Coca-cola
Rapadura [] Adoçante
Aurora [] Crepúsculo
Câmara Cascudo [] Gilberto Freyre
Pós-tudo [] Ex-tudos
Signagem [] Linguagem
Processo/Significação [] Estrutura/Conteúdo
Poema: matriz e projeto [] Poesia: forma e função
8:16 AM
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Quinta-feira, Maio 27, 2004
POEMA DE VICTOR AZ
[ in Concretismo ]
5:49 PM
Comentários:
Terça-feira, Maio 18, 2004
INFO-EXPERIÊNCIA DE LAU SIQUEIRA (PB/RS)
[ Clique aqui para ver poemas verbais e outras experiências de Lau Siqueira ]
8:02 AM
Comentários:
Quinta-feira, Maio 06, 2004
UM POEMA/PROCESSO É UM POEMA/PROCESSO
É UM POEMA/PROCESSO
É UM POEMA SEM POESIA
1:15 AM
Comentários:
Sexta-feira, Abril 30, 2004
POEMA VISUAL DE MARCELO SAHEA (rj)
[ in Poesilha ]
5:05 PM
Comentários:
POEMAS/PROCESSO, POEMAS VISUAIS E POEMAS VERBAIS
podem ser vistos com maior regularidade
no Balaio Vermelho:
um blogue de poesia, humor, cinema, política, literatura
e assuntos variados.
6:18 AM
Comentários:
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